Pra quem não leu, aqui está a parte 1.
Passou a semana e chegou a tão esperada sexta-feira, dia 26/10/07. Aquele dia eu havia acordado meio "blargh", sem vontade de comer, meio enjoada... coisa que não tinha acontecido a gravidez inteira.
Eu voltava da manicure, e me lembrei que tinha que ligar pro médico... mas eu estava tão bem! Quem me dera ter sido menos obediente e não ter ligado... :-/
Parei o carro e liguei pro consultório, falei com a atendente.
- Alô? Gostaria de falar com o dr. Fulano?
- No momento ele está atendendo, não pode falar.
- Ah, é que sou paciente dele e completo 40 semanas amanhã, e ele me pediu pra ligar hoje à tarde se não tivesse acontecido nada... Pra saber como proceder pra internar amanhã pra fazer a cesárea.
- Ah, só um momento.
[...]
- Olha, ele pediu pra você ir pro hospital de Pinda agora.
- Ãh? Como? Mas ele disse que a cesárea seria amanhã...
- É que ele não conseguiu equipe pra amanhã, só conseguiu pra hoje.
- Mas que horas devo ir? O que devo levar, fazer... Não tem que ter jejum, nenhum preparativo?
- Não, fica tranquila. Só não coma mais nada a partir de agora.
- Ok...
- Ele disse que deve chegar por volta das 20h.
Agradeci e desliguei o telefone. Fiquei assim, meio em estado de choque... Meu filho ia nascer aquele dia! Passei na padaria, comprei pão... Pq eu estava numa fome de lascar. Cheguei em frente de casa, marido estava soltando pipa em cima do telhado... Chamei.
- Dudu... Du... Eduardo!
- Oi amor! Tudo bem com vocês?
- Sim. Seu filho vai nascer hoje.
- Ãh? Como assim?
- Desce aqui, vou te contar...
E entramos. Contei tudo. Nos abraçamos e ele falou pra eu comer pelo menos meio pão, que não ia me fazer tanto mal... Ainda tomei um copo de coca-cola. Ligamos pra avisar familiares e amigos... Tinha chegado a hora, a tão sonhada hora!
Devia ser umas 18h... E eu ia pensando dentro do carro que pelo menos, não tinha sido exatamente no sábado, como o médico queria... Pq eu queria a surpresa, aquela coisa do "a bolsa estourou!"; queria que fosse no momento dele, do meu Pedroca... Acho que, no fundo, eu estava me iludindo, pra tentar esquecer a tristeza de não ser um parto normal.
Chegamos no hospital, fomos dar a entrada... Tudo tão... normal! Sem sal, sem açúcar, sem emoção... Tava tudo meio P&B mesmo. Eu estava feliz sim, claro! Era meu filho chegando ao mundo... Mas tudo tããããão sem emoção! A emoção da visão romântica que eu tinha do PN.
A atendente ligou pro médico pra confirmar, ele disse que chegaria por volta das 20h... Ainda eram 18h20. Fui pro quarto. Conversa vai, conversa vem... Ansiedade até que estava controlada... Eu ria muito. Acho que era nervoso. Liguei pra minha mãe.
"Seu neto tá chegando!", rsrsrsrsrs... Muitos beijos, declarações de amor trocadas... E de repente o médico entra pela porta do quarto (que bom que não foi pela janela, né? :-P) todo sorridente e brincalhão, como nunca foi em nenhuma consulta. Chegou a me deixar surpresa com tanta alegria, rs...
- Oi Lidiane! Tudo bem? E esse neném, nasce ou não nasce? Ficou tão acelerado, queria pular fora... agora resolveu ficar aí dentro? Vamos tirar ele daí?
- Ué doutor, a atendente disse que você ia chegar por volta das 20h... (Devia ser umas 18h45)
- Pois é, mas consegui adiantar algumas coisas. Vamos lá?
-Sim, claro... Outra coisa, meu marido pode participar?
- Claro! Promete que não vai me dar mais trabalho que a gestante? (falou olhando e sorrindo pro marido)
- Pode deixar doutor, se eu tiver de desmaiar faço bem longe de vocês!
- Então vamos lá, colocar a roupa toda. Lidiane, vou roubar seu marido um pouquinho, já-já nos vemos.
- Tchau!
E lá se foi ele com meu marido... As meninas me prepararam e às 19h eu já estava na SO, e tudo começou. Ele deixou meu marido bem à vontade... Conversou comigo o tempo todo, a esposa também - ela era a auxiliar dele - foram gentis e carinhosos, rimos todos de várias piadas... Me arrisco a dizer que, se não fosse o fato de ter sido uma cesárea desnecessária, teria sido perfeito.

De repente, sinto como se meu pulmão fosse ser arrancado. Uma saculejada, um mexe pra lá e pra cá, que parecia que estavam tentando tirar meu cérebro pela barriga. Lembro de falar ao anestesista que as mulheres tinham mesmo que se sentir doloridas por inteiro, depois daquele esforço todo pra tirar o bebê da barriga... Uma falta de ar... E em seguida, ouço o choro do Pedro. Uma emoção sem tamanho percorreu meu corpo meio aquecido, meio gélido. Eu tremia sem saber se era de frio ou de emoção. Pedro Antônio nasceu às 19h30 do dia 26 de outubro de 2007, com 50 cm e 3500k. Ele tinha - pela USG - 39 semanas e 6 dias. O capurro não sei quanto deu, mas um dia ainda vou buscar o prontuário.
Saindo da SO, dei de cara com muitos familiares chegando... Ninguém entendendo nada, pq ligamos para todos e falamos que o médico chegaria por volta das 20h e a cesarea deveria rolar por volta das 20h30, 21h, mas era 20h e eu saindo do centro cirúrgico. Surpresa pra mim, pra eles, até pro bebê, kkkkkkkkkkk... Pegadinho do GO, rá! :-P
O hospital estava vazio, e a enfermaria só pra mim. Qdo cheguei no quarto, tinha mais de 6 pessoas, sem brincadeira... Parecia um carnaval, hahahahahahahaha.... O Pedro merecia mesmo toda comemoração. Nem bem cheguei, Pedroca também veio pro quarto... Todo mundo babando naquele bebezão, brancão, cabeludo e loirão, que de tão loiro, parecia ser careca. Pq qdo chorava, só dava pra ver o couro cabeludo vermelho. Meu russinho, rs... Nem parecia que tinha sobrancelhas.
Familiares foram embora, amigos chegaram... Amigos foram embora, Pedrão veio mamar... Aux. de enfermagem veio ajudar, papai ajudou... Mesmo sem poder me levantar por causa da anestesia, consegui amamentar. Ele ele pegou rápido! O guri que me dá orgulho! Sempre deu!
Se eu parar pra pensar, acho que ele só ficou longe de mim o tempo que levaram pra me fechar toda e ir pro quarto. Ah, e o banho dele tb. Pq ele nasceu às 19h30, e essa foto dele comigo na cama foi tirada às 20h27. Ele era um bebê muito doce...
Passamos uma noite extasiados, eu e o pai. No dia seguinte, troca de plantão e uma cavala chega falando alto, abrindo cortinas, mandando eu levantar pra ir tomar banho... Oi? Eu tô toda cortada e ela quer que eu levante da cama como se fosse a coisa mais normal do mundo? Ô violência obstétrica que eu não sabia que existia! Foi duro, viu? Ela só faltou me arrastar pro chuveiro. Gemi horrores; da cama até o banheiro acho que levei 2 horas. Me arrastava, parecia que eu estava me desfazendo em pedaços... Que raiva daquela mulher do cão.
Ela foi embora, dia seguinte GO passou visita e me deu alta. Tudo bem, vida nova em casa. Retorno depois de x dias pra ver os pontos...
- E olha, que bom que fizemos a cesárea... Seu bebê estava fazendo mecônio na hora que eu abri sua barriga. Imagina se não tivéssemos feito ela naquele dia...
E eu acreditei que ela tinha sido essencial pra salvar a vida do meu filho e a minha. Aff, deixa pra lá. Não adianta mais chorar pelo leite derramado. Agora me resta ajudar a outras mulheres a não serem enroladas como eu fui. Pois volto a dizer: se não fosse pela cesárea - e a aux. de enfermagem cavala do 2º plantão - tinha sido o nascimento perfeito. E é por isso que muitas mulheres não conseguem acreditar - ou não querem, como um dia eu tb não quis - que as coisas poderiam ter sido diferentes, melhores. Pq tudo fica muito maquiado... Pra parecer a melhor coisa do mundo.
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| Pedro Antônio indo pra casa. |
*** Considerações finais ***
> Hoje vejo que não é que ele não tenha achado equipe pra fazer a cesárea no sábado de manhã. Ele é quem não ia trocar uma manhã de sábado ensolarado por uma sala fria dentro de um hospital;
> Ele não podia se arriscar esperar até 42 semanas (pelo menos), não porque não era mais usado ou porque trazia riscos pra mãe e pro bebê, mas sim porque na semana seguinte tinha um feriadão: sexta feira, dia 02/11/07 era finados, e eu completaria 41 semanas no sábado, dia 03/11 - qual pessoa quer perder feriadão emendado pra ficar acompanhando trabalho de parto? :-P
> Hoje vejo que não é que ele não tenha achado equipe pra fazer a cesárea no sábado de manhã. Ele é quem não ia trocar uma manhã de sábado ensolarado por uma sala fria dentro de um hospital;
> Ele não podia se arriscar esperar até 42 semanas (pelo menos), não porque não era mais usado ou porque trazia riscos pra mãe e pro bebê, mas sim porque na semana seguinte tinha um feriadão: sexta feira, dia 02/11/07 era finados, e eu completaria 41 semanas no sábado, dia 03/11 - qual pessoa quer perder feriadão emendado pra ficar acompanhando trabalho de parto? :-P
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